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Backup em HD externo ou na nuvem: qual a empresa deve usar?

HD externo ligado por cabo a um notebook e um segundo HD guardado numa gaveta entreaberta.

A pasta que sincroniza com a nuvem não é backup. Se um arquivo é apagado ou embaralhado por um vírus no computador, a mudança sobe para a nuvem do mesmo jeito, em segundos. Ela ajuda muito, mas a resposta para a pergunta do título é: a empresa precisa das duas coisas, uma cópia perto e uma cópia longe, e pelo menos uma delas desligada da rede.

O que muda de uma empresa para outra é a mistura. Escritório com dois ou três computadores resolve com HD externo e nuvem. Escritório com mais gente e arquivo grande costuma ganhar com um NAS, um aparelho com discos que fica ligado na rede e guarda os arquivos de todos.

Lado a lado

HD externoNAS (disco na rede)Nuvem
Quanto custa (outubro de 2026)cerca de R$ 660 a R$ 970 por um de 1 a 2 TBcerca de R$ 2.100 a R$ 7.400 por um aparelho de 2 discos, sem os discoscerca de R$ 10 a R$ 97 por mês, de 100 GB a 5 TB, em plano pessoal; plano de empresa cobra por usuário
Onde ficana mesa, na gaveta ou na casa do donodentro da empresafora do prédio
Precisa de alguém lembrarsim, de ligar e copiarnão, agenda sozinhonão, sobe sozinha
Ponto fracocai, queima, é roubado e vai junto num incêndiofica ligado na rede, ao alcance de um ataquemensalidade sem fim e demora para baixar muito arquivo
Para quemempresa pequena, como segunda cópiavários computadores e arquivo grandetodo mundo, como cópia fora do prédio

Os preços mudam toda semana. No NAS, some os discos e uma pessoa que saiba configurar: não é coisa de ligar na tomada e esquecer.

A regra das três cópias

A regra mais usada por quem trabalha com isso cabe em três números:

  1. Três cópias dos arquivos: o original e mais duas.
  2. Dois tipos de mídia diferentes, como o disco do computador e um HD externo.
  3. Uma cópia fora da empresa, na nuvem ou num HD que vai para outro endereço.

Hoje se acrescenta uma quarta exigência: uma das cópias precisa estar desligada da rede ou ser imutável (gravada de um jeito que ninguém consegue apagar nem mudar até uma data marcada).

Quando o ataque chega

O sequestro de dados (o vírus que tranca os arquivos e cobra para devolver) procura o backup antes de agir. HD externo que fica plugado o tempo todo é alcançado. NAS na rede também. Por isso a cópia desligada importa tanto: o HD que é ligado, copia e volta para a gaveta, ou a cópia na nuvem que não pode ser apagada.

O NAS com dois discos espelhados merece um aviso. Ele continua funcionando se um disco queima, mas o arquivo apagado ou embaralhado some dos dois discos ao mesmo tempo. Espelhamento protege o aparelho, não substitui o backup.

O teste que quase ninguém faz

Backup que nunca foi restaurado é uma aposta. Uma vez por mês, escolha um arquivo de algumas semanas atrás, restaure numa pasta separada e abra. Nunca restaure em cima dos arquivos atacados. Uma vez por semestre, restaure um computador inteiro num disco reserva e marque quanto tempo levou: é esse o tempo que a empresa vai ficar parada num problema sério.

Na nuvem, ligue a verificação em duas etapas. No HD que sai da empresa, ligue a criptografia (a senha que trava o disco).

Dados de cliente e a LGPD

Backup com dado de cliente ou de funcionário continua sendo dado pessoal na LGPD (Lei 13.709/2018). A lei pede medidas de segurança contra perda e destruição, e backup testado é uma delas. Guarde só o necessário, pelo tempo necessário. Se um ataque atingir esses dados e puder causar risco ou dano relevante às pessoas, a regra da autoridade de proteção de dados pede, em regra, aviso a ela e aos titulares em três dias úteis, contados de quando a empresa soube que o ataque atingiu dados pessoais. Pequenas empresas que se enquadram no regime simplificado da autoridade podem ter prazo em dobro.

O que pedir ao suporte de TI

Se a empresa tem suporte de TI, estas perguntas mostram se o backup existe de verdade:

  1. Onde estão as três cópias, e qual delas fica desligada ou não pode ser apagada?
  2. Com que frequência o backup roda sozinho, e quem recebe o aviso quando falha?
  3. Quando foi o último teste de restauração, e quanto tempo levou?
  4. Por quanto tempo a nuvem guarda arquivo apagado e versão antiga?
  5. O que diz o contrato da nuvem sobre perda de dados? Muitos deixam o backup por conta do cliente.
  6. Quem tem a senha da criptografia, e onde ela fica guardada fora do computador?

O NAS fica ligado o tempo todo: vale protegê-lo com um nobreak.

Perguntas rápidas

HD ou SSD externo?

O SSD é mais rápido, mas custa mais por TB, e a faixa da tabela vale para HD. Para cópia que fica na gaveta, os dois servem.

Só a nuvem não basta?

Para empresa, não. Uma conta invadida, um arquivo apagado fora do prazo da lixeira ou um contrato que acaba deixam a empresa sem nada.

Se o computador principal da empresa sumisse hoje à tarde, em quanto tempo vocês voltariam a trabalhar? Se ninguém souber responder, o próximo passo é o teste de restauração, não a compra de mais um disco.

Setor de tecnologia