Limpeza por posto: quanto custa por mês
Numa planilha pública de 2026, só um quarto, mais ou menos, do preço de um posto de limpeza virava o salário de quem limpa. Os outros três quartos não são lucro escondido. São o que a lei e a convenção coletiva mandam pagar por cima do salário, mais o material, a cobertura de férias e faltas, os impostos e a margem da terceirizada. Entender essa conta é o que separa um orçamento honesto de um que vai dar problema no terceiro mês.
A faixa
Em outubro de 2026, um posto de 44 horas por semana (segunda a sábado, uma pessoa) saía de R$ 2.100 a R$ 9.300 por mês. O posto (a vaga que a terceirizada mantém no seu endereço, coberta mesmo quando a pessoa falta) de 40 horas, de segunda a sexta, ficava um pouco abaixo. A diferença entre as pontas vem do piso da região, do que entra no pacote e do tamanho do contrato.
De onde sai o preço
O salário de partida é o piso da convenção coletiva de asseio e conservação. Ele muda de um estado para outro, e às vezes de uma região para outra dentro do mesmo estado. Por cima dele, a terceirizada soma camadas, quase sempre nesta ordem:
| Camada | O que entra |
|---|---|
| Remuneração | o piso e, quando cabe, adicional de insalubridade ou noturno |
| Encargos e provisões | INSS, FGTS, 13º, férias com um terço, provisão para rescisão |
| Benefícios da convenção | vale-transporte, refeição ou alimentação, cesta básica, o que mais a convenção exigir |
| Cobertura de ausências | o folguista (quem cobre férias, folgas e faltas), rateado entre os postos |
| Insumos | uniforme, EPI (luva, bota, óculos), material de limpeza, desgaste de equipamento |
| Custos indiretos e lucro | supervisão, escritório, contador e a margem da empresa |
| Tributos | os impostos sobre a nota |
Numa planilha pública de 2026, só o salário, os encargos e os benefícios já passavam do dobro do piso. Quando a convenção muda, todo ano, na data-base da categoria, o custo da mão de obra muda junto. Como esse aumento chega ao preço depende da regra de reajuste escrita no contrato.
Posto, meio período ou visita
- Posto de 44 ou 40 horas: uma pessoa no seu endereço todos os dias úteis. Serve para recepção movimentada, muitos banheiros, copa usada o dia inteiro.
- Meio período: em outubro de 2026, meio período três vezes por semana ficava entre R$ 1.000 e R$ 4.700 por mês. É o caso do escritório médio, que precisa de banheiro e lixo em dia, mas não de alguém o tempo todo.
- Rotina por visita: a equipe vem um dia por semana e vai embora. Um dia inteiro por semana saía de R$ 540 a R$ 2.360 por mês. Serve para sala pequena, com pouca gente.
Quem decide entre os três é a área e o uso, não o preço. Com gente de menos, a proposta fica mais barata e o serviço não fecha.
E o metro quadrado?
Algumas terceirizadas cobram por m², e as compras públicas federais orçam a limpeza pela área. O valor nasce da mesma conta: o preço do posto dividido pela área que uma pessoa consegue limpar no dia. A referência pública é de 800 a 1.200 m² de piso frio ou carpete por servente em 8 horas, fora os banheiros, que rendem bem menos. Em escritório com muita mesa, muita gente circulando e banheiro usado o dia todo, a área por pessoa cai bastante. Antes de comparar dois preços por m², confira se as duas propostas contaram a mesma área e a mesma frequência.
O que encarece
- banheiro de uso público ou de grande circulação, que pode gerar adicional de insalubridade (confirme com o seu contador ou advogado se é o seu caso);
- trabalho depois das 22 horas, que tem adicional noturno;
- material de limpeza por conta da terceirizada, com papel, sabonete e saco de lixo incluídos;
- contrato pequeno, de um posto só, porque supervisão e escritório se dividem por menos gente;
- hora extra, que quase sempre fica fora do preço de tabela.
Como comparar propostas
- Peça a planilha de custos aberta, linha por linha, nas camadas da tabela acima. Proposta séria mostra de onde saiu cada valor.
- Confira o piso usado na planilha com o da convenção da sua região. A convenção é pública, e o sindicato informa o piso.
- Veja se as propostas contam o mesmo: mesma jornada, mesma área, mesmos dias, mesmo material.
- Procure o folguista. Se não há linha para cobrir férias e faltas, o dia descoberto vai ser seu.
- Pergunte o que fica de fora: hora extra, insalubridade, material de banheiro, limpeza de vidro.
- Pergunte quando o preço muda e com base em quê. A resposta precisa citar a data-base da convenção e a regra de reajuste do contrato.
Preço abaixo do custo
Some o piso da sua região com os encargos e os benefícios da convenção. Se o preço do posto não passa com folga do dobro do piso, não sobra dinheiro para material, cobertura de faltas, impostos e lucro. Quem fica sem receber é o funcionário. E, pela Lei 6.019/1974, quem contrata responde de forma subsidiária pelas obrigações trabalhistas do período do serviço: se a terceirizada não pagar, a conta pode chegar em você. Em terceirizar a limpeza do escritório explicamos o que exigir no contrato e os papéis para cobrar todo mês. Para o seu caso, confirme com o seu contador ou advogado.
Na ponta de baixo da faixa, a pergunta não é "quanto eu economizo?". É "quem está pagando a diferença?".
Setor de limpeza e conservação